Os EUA e sua nova Estratégia de Defesa Nacional


IREL / UnB 19h - 21h 05/04/2018 - 05/04/2018

No dia 05 de abril, o GEPSI promoveu o evento “Os Estados Unidos e sua Nova Estratégia de Defesa Nacional”, realizado na Sala de Atos do Instituto de Relações Internacional (Irel) da UnB. Conduzida pelo professor Alcides Costa Vaz, a apresentação contou com a participação do professor Juliano Cortinhas, de estudantes da Graduação e da Pós-Graduação em Relações Internacionais, do Tenente-Coronel Oscar Filho, Coordenador do Núcleo de Estudos Prospectivos do Centro de Estudos Estratégicos do Exército (CEEEx), de pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e de bacharéis em Relações Internacionais de diversas instituições.

 

O evento tratou da Estratégia de Defesa Nacional dos EUA, lançada em janeiro de 2018 pelo Departamento de Defesa [1]. O documento em questão refere-se, sobretudo, às principais preocupações dos EUA no que diz respeito ao emprego de suas Forças Armadas – ou seja, à sua capacidade e estratégia militar.

 

Em sua fala inicial, o professor Alcides destacou que, para um efetivo entendimento da recente Estratégia de Defesa estadunidense, seria necessário fazer uma comparação com a versão anterior do documento – elaborada durante o segundo Governo Obama, em 2015.

 

A preocupação central, no instrumento de 2015, consistia: i) na necessidade de se contrapor a Estados revisionistas que estavam desafiando a ordem internacional; ii) confrontar organizações extremistas violentas que estavam minando a segurança transnacional. Ademais, relevante enfoque era dado na construção de uma rede de aliados e parceiros, especialmente para conduzir operações sincronizadas ao redor do globo, sustentar capacidades e recursos e, consequentemente, garantir a prevalência em conflitos. Ainda que os Estados estivessem colocados como atores dominantes nas relações internacionais, apontava-se o apoio a instituições e a processos multilaterais com o objetivo de prevenir conflitos.

 

No documento lançado em janeiro de 2018, praticamente um ano após o início do Governo Trump, há pressupostos e objetivos que parecem indicar uma grande ruptura com a Estratégia anterior. Entretanto, segundo o professor, os elementos apresentados já permeavam, de algum modo, a versão de 2015. A nova Estratégia de Defesa Nacional dos EUA indica que o objetivo do país é prover forças militares críveis, com capacidade de combate, necessárias para prevenir a guerra, ganhar a guerra e garantir a segurança da nação. O contexto internacional contemporâneo é descrito como um período de atrofia estratégica, em que a vantagem militar norte-americana tem sido erodida. Com base no documento, pôde-se concluir que a competição estratégica interestatal é agora a preocupação primária dos EUA – e não o terrorismo.

 

No que tange à relação dos EUA com outros países, destacam-se aqueles Estados compreendidos como competidores e como ameaças à norma internacional: China, Rússia, Coreia do Norte e Irã – países que já eram citados como revisionistas no documento de 2015, porém agora com percepções agravadas. A América do Sul não recebe destaque ao longo do documento. A região é compreendida como Hemisfério Ocidental, na qual os EUA devem sustentar suas vantagens (as militares, em especial), expandindo mecanismos de consulta e aprofundando a realização de operações e exercícios conjuntos.

 

Após a apresentação do professor Alcides, houve uma longa discussão a respeito do documento e de suas repercussões para a compreensão das relações internacionais contemporâneas – em particular das perspectivas da segurança internacional. Debateu-se acerca da percepção dos EUA sobre si mesmo e sobre a posição realista tradicionalmente adotada por aquele país. Em diálogo entre os professores Alcides e Juliano, apontou-se que os EUA nunca se afastam do realismo – apenas migram de um realismo para o outro. Enquanto a Estratégia de 2015 poderia remeter às ideias de John Ikenberry, a nova versão alude ao realismo ofensivo de John Mearsheimer.

 

Outros tópicos discutidos foram: a crescente relevância geopolítica do Mar do Sul da China, a iminente guerra comercial entre os países – especialmente EUA e China, o papel das instituições no cenário internacional e as perspectivas para o Brasil diante desse cenário da segurança internacional.

 

Com a expectativa de se manter um espaço regular de discussões sobre temas importantes da conjuntura internacional, em específico a respeito de questões de segurança, almeja-se tornar este tipo de evento um padrão do GEPSI. Nesse sentido, a próxima apresentação, seguida de debates, ocorrerá no dia 26 de abril, com o especialista em segurança pública Yuri Moraes, que trará as perspectivas sobre esse tema no contexto brasileiro atual.

 

[1] Além desse documento, os EUA também lançaram, em dezembro de 2017, sua Estratégia de Segurança Nacional. Apesar das similaridades em algumas temáticas específicas, os documentos têm utilidades diferentes e, enquanto a Estratégia de Segurança é editada pela Casa Branca, a Estratégia de Defesa é um documento do Departamento de Defesa. O sumário da Estratégia de Defesa Nacional dos EUA pode ser acessado no link: https://www.defense.gov/Portals/1/Documents/pubs/2018-National-Defense-Strategy-Summary.pdf

Os EUA e sua nova Estratégia de Defesa Nacional